quinta-feira, 20 de março de 2008

Sábio

Sábio é o que se contenta com o espetáculo do mundo,
E ao beber nem recorda
Que já bebeu na vida,
Para quem tudo é novo
E imarcescível sempre.

Coroem-no pâmpanos, ou heras, ou rosas volúteis,
Ele sabe que a vida
Passa por ele e tanto
Corta à flor como a ele
De Átropos a tesoura.

Mas ele sabe fazer que a cor do vinho esconda isto,
Que o seu sabor orgíaco
Apague o gosto às horas,
Como a uma voz chorando
O passar das bacantes.

E ele espera, contente quase e bebedor tranqüilo,
E apenas desejando
Num desejo mal tido
Que a abominável onda
O não molhe tão cedo.


(Fernando Pessoa)

segunda-feira, 3 de março de 2008

Pensamento sobre os valores na modernidade.

"A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas".
(Marx)


Ao observarmos a evolução da ciência e a ampliação de suas formas de utilização no cotidiano, ficamos cientes de que gradualmente o indivíduo ao exaltar a idealização do progresso, fatalmente penetra no estado de "alienação do trabalho". Ou seja, ocorre a inversão de valores entre o produtor e o produto. A mercadoria assume valor superior ao indivíduo. Assim a humanização do produto leva à desumanização do indivíduo, e consequentemente à sua "coisificação".
O homem por conseguinte torna-se escravo da produção e principalmente do consumo alienados, faz uso abusivo do seu poder de transformar a natureza e usá-la em função do seu interesse, causando assim prejuízos tanto à pessoa submetida à alienação, quanto à própria natureza que sofre abusos.
A questão fundamental, hoje, é a da necessidade de reflexão moral e política sobre os fins das ações humanas no trabalho,no consumo, no lazer, nas relações afetivas, observando se estão a serviço do ser humano ou da sua alienação.


T.K.S