quarta-feira, 9 de abril de 2008
Para ler e refletir
Ó tu, que desejas sondar os arcanos da natureza; se não achares dentro de ti aquilo que procuras, também não poderás encontrar fora. Se tu ignoras as excelências de tua própria casa, como pretendes encontrar outras excelências?
Em ti está oculto o tesouro dos tesouros."
(Inscrição do templo de Delfos - Grécia)
Como disse Rousseal, essa inscrição contém preceitos mais importantes e mais valiosos que os mais grossos livros de moralistas...
quinta-feira, 20 de março de 2008
Sábio
E ao beber nem recorda
Que já bebeu na vida,
Para quem tudo é novo
E imarcescível sempre.
Coroem-no pâmpanos, ou heras, ou rosas volúteis,
Ele sabe que a vida
Passa por ele e tanto
Corta à flor como a ele
De Átropos a tesoura.
Mas ele sabe fazer que a cor do vinho esconda isto,
Que o seu sabor orgíaco
Apague o gosto às horas,
Como a uma voz chorando
O passar das bacantes.
E ele espera, contente quase e bebedor tranqüilo,
E apenas desejando
Num desejo mal tido
Que a abominável onda
O não molhe tão cedo.
(Fernando Pessoa)
segunda-feira, 3 de março de 2008
Pensamento sobre os valores na modernidade.
(Marx)
Ao observarmos a evolução da ciência e a ampliação de suas formas de utilização no cotidiano, ficamos cientes de que gradualmente o indivíduo ao exaltar a idealização do progresso, fatalmente penetra no estado de "alienação do trabalho". Ou seja, ocorre a inversão de valores entre o produtor e o produto. A mercadoria assume valor superior ao indivíduo. Assim a humanização do produto leva à desumanização do indivíduo, e consequentemente à sua "coisificação".
O homem por conseguinte torna-se escravo da produção e principalmente do consumo alienados, faz uso abusivo do seu poder de transformar a natureza e usá-la em função do seu interesse, causando assim prejuízos tanto à pessoa submetida à alienação, quanto à própria natureza que sofre abusos.
A questão fundamental, hoje, é a da necessidade de reflexão moral e política sobre os fins das ações humanas no trabalho,no consumo, no lazer, nas relações afetivas, observando se estão a serviço do ser humano ou da sua alienação.
T.K.S
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Eu, etiqueta
Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
domingo, 3 de junho de 2007
S.O.S planeta

O eco lamurioso da Terra se faz ouvir cada vez mais através das frenqüentes catástrofes "naturais", que são meramente defesas do planeta que despeja sobre nossos olhos turvos toda a agressão e degradação oriundas da grande ambição humana.O ser humano "progressivamente" passa de ínfimo ser que habita temporariamente a majestosa Terra, para um modificador maculoso desse espaço tão valioso que lhe foi dado.
O eco dos tristes gritos da Terra que pisoteamos,maltratamos e destruimos tenta nos alarmar da insistência de mirar o nosso próprio umbigo ao invés de adotarmos uma visão panorâmica da vida. A Terra, nossa mãe se mostra cada dia mais cansada de todo esse contínuo e desregrado usufruto de seus preciosos recursos, e isso nos faz, a todos os poucos e conscienciosos habitantes do planeta, refletir sobre o futuro desse lar, que fora no início tão diferente do que está se tornando, e nos dá medo só de pensar como será a vida de nossos netos, seus filhos,os filhos deles e assim por diante.
O eco cada vez mais forte, que já não podemos deixar de ouvir, é um eco vinculado aos inúmeros atos mesquinhos que praticamos em nome do "progresso",do conforto,do dinheiro e tantas outras ilusões que enaltecemos a cada dia e que acometem nosso ser material.
O eco lógico dos pensamentos egoístas que plantamos no lugar das mudas, cultivando-os e valorizando-os , se faz presente e se faz futuro nesse absurdo que insistimos em chamar de evolução humana. Sendo pois essa a tão almejada evolução...seria melhor que tivessemos permanecido arcáicos.
Texto de Tayná Kehrle